sábado, 15 de novembro de 2014

Thank you for your service

          Tenho um profundo respeito pela cultura norte-americana. Afinal, para o bem ou para o mal, consumo mais da cultura yankee do que da brasileira — e não acho que assumir isso me torne menos patriota, pois não digo, com isso, que eu trocaria o Brasil pelos Estados Unidos. Contraditoriamente, os EUA é um lugar que não penso em viver. Trocar São Paulo por New York, por exemplo, seria, pra mim, como trocar 6 por meia dúzia. Com seus muitos defeitos, eu amo o Brasil! Antes de pensar em sair daqui, penso em conhecer melhor o país em que nasci e provavelmente morrerei... penso em testar a cultura própria de cada estado (alguns, ao menos). 
          Politicamente falando, se tudo por aqui piorasse a um ponto que se tornasse irreversível, aí sim pensaria em auto-exílio, mas minha primeira escolha não seria os Estados Unidos.  Por vezes, a liberdade que tanto pregam por lá, soa mais aprisionadora do que uma bola de aço amarrada aos dois pés.
          Admiro, de certa forma, o patriotismo deles — aquela coisa que beira o fanatismo, mas também beira a lealdade. O ego é enorme, mas por um momento isso é compreensível, afinal, há décadas e décadas todos os outros países olham para os Estados Unidos atentamente. Tudo que eles fazem, tudo que eles produzem, é logo noticiado. Não sei se esse é um reinado eterno, mas apesar das controvérsias, eles continuam soberanos.
           Porém, se tem algo que realmente foge ao meu entendimento, é o glamour gerado em torno do serviço militar. Talvez porque aqui no Brasil seja difícil ver alguém se alistando por livre e espontânea vontade; talvez porque as maiores guerras no nosso país tenham sempre sido internas, é difícil de engolir quando um soldado/ex-soldado é por algum motivo referenciado e seus compatriotas começam a dizer "thank you for your service". Obrigado pelo seu serviço? O serviço que você desempenha, algumas vezes voluntariamente, assassinando friamente centenas de pessoas, inclusive crianças? A disposição de um soldado em lutar é o principal combustível para que as guerras ao redor do mundo continuem... E não vamos nos enganar, nenhuma guerra, NENHUMA, beneficia o povo. Não é através da guerra que a população garante seu poder de livre expressão! 
           É realmente assustador que as pessoas vejam os "serviços" de um soldado como algo a se agradecer, é estarrecedor que muitas pessoas se alistem voluntariamente... Imagina o que aconteceria se todos os soldados largassem suas armas e dissessem em uma só voz "agora chega"? Guerras, sejam santas ou não, só servem para fortalecer a elite, para enriquecê-la. E Renato Russo estava certo, enquanto o soldado sacrifica a própria vida, sofre danos irreparáveis, física e mentalmente, "O Senhor da Guerra" estará em segurança em um de seus castelos, sentado numa fortuna a custa de sangue de gente inocente.
           Mesmo aqui, no nosso país, onde o povo é por muitas vezes inerte, existem os que defendem embates físicos como forma de se impôr contra a opressão. Claro, é um assunto complexo se a gente olhar pelo ângulo de que todo país precisa de proteção contra ataques externos, e que seria difícil todos os países se alinharem em um tratado de paz. Para alcançar um resquício de paz mundial, seria necessária uma mudança muito grande, na questão da educação e no próprio espírito das pessoas, para que percebessem em primeiro lugar que essas fronteiras invisíveis não representam nada... Nós somos todos a mesma coisa, independente de onde vivemos!
        Digam os especialistas o que disserem, Guerras não são a solução para coisa alguma. Não apenas por todas as pessoas que morrem, mas o fato é que com essas guerras intermináveis, o que mais fazemos é destruir o nosso próprio planeta. Nesse mundo imerso em tecnologia, tremo de imaginar o que aconteceria se houvesse uma 3ª Guerra Mundial. Não duraria muito, pois com alguns botões poderíamos erradicar o Planeta Terra. Quando há riscos tão grandes e devastadores, as pessoas deveriam fazer o que pudessem para evitar confrontos. Se já tentamos por séculos este caminho torpe, por que ninguém quer dar espaço para uma nova abordagem? Todo mundo sabe que a única solução para todos os nossos problemas (e falo GLOBALMENTE), é a união de todas as nações. Ainda assim, o soldado recebe em troca de seus desserviços, um obrigado.