Uma das coisas que eu mais curto na vida são séries de TV. Elas de certa forma me salvaram. Cresci assistindo séries, vendo os personagens como parte da minha família e do meu círculo de amigos, e discutindo as maratonas da vida com meus poucos amigos fora do universo fictício. Uma das minhas séries preferidas é "Tal Mãe, Tal Filha" (Gilmore Girls). Foi uma das primeiras séries que eu assisti , graças ao SBT. Foi uma das séries que estabeleceu o meu prazer por séries. Ao longo dos anos, assisti essa série em diversos estados mentais, e sempre gostei muito do clima "doce" que compreendia na mesma. Por causa da vibezinha de cidade pequena, onde "todo mundo se ajuda", eu sempre idealizei a coisa, ignorando certos absurdos, como as tiradas machistas, homofóbicas e gordofóbicas, o bullying constante contra alguns personagens estereotipados, e também a forma egoísta que as duas protagonistas tratam suas melhores amigas (uma sendo a personagem da Melissa McCarthy, até então gorda, que servia de boba da corte). Foi um choque rever essa série e pegar tantos momentos repreensíveis que sempre passaram batido, ou que eu mesma encarei como algo engraçado num passado não tão distante. Por um lado significa que eu cresci. Mas e a indústria do entretenimento, por que nunca cresce? Gilmore Girls ganhou um revival dois anos atrás, e se na época das temporadas originais "podia" se esconder atrás da "ignorância", já que até então não se falava muito de determinados assuntos como GORDOFOBIA, agora não pode mais. Ainda assim, as tiradas gordofóbicas surgiram, e de forma até mais descarada e intensa, com um personagem sendo alvo de zombaria direta das duas personagens principais. O personagem gordo aparece sempre sem rosto. O corpo do ator é usado simplesmente para esculhambação! Muitas séries de TV são carregadas de comentários e situações gordofóbicas. É algo tão enraizado que não se limita às séries "cômicas". Em todo gênero usam, de forma consistente, o corpo gordo para alívio cômico. Das clássicas "Um Maluco no Pedaço" e "Eu, a Patroa e As Crianças", à novíssima "Insatiable" - cujo trailer me despertou fúria - esses momentos não são raros. "Bones", por exemplo, que também é uma série que gosto muito, já me fez chorar em momentos que eu estava mais fragilizada. Nunca vou esquecer de uma cena em que o Booth e a Brennan estão interrogando uma suspeita gorda e fazem piadas diretas sobre a mulher, falando basicamente que gordos fedem. Ela é uma assassina, mas O QUE REALMENTE importa para eles é que "gordos fedem"! E claro, são personagens. Mas tem pessoas de verdade interpretando esses personagens. Como esses atores conseguem não se abalar sendo depreciados? Na minha visão, não se pode falar esse tipo de coisa na cara de alguém, mesmo que ela esteja interpretando, sem escancarar como a sociedade enxerga a pessoa gorda. Quando vejo cenas assim, me sinto humilhada pela atriz (ou ator). Quem escreveu essa cena realmente acredita que gordos fedem, e estava se referindo tanto à personagem quanto à atriz, E à cada telespectador que acompanha(va) a série. Sei que EU me senti uma merda, e tive que pausar, chorar, engolir, e por algum motivo, despausar e continuar. Se é para criar representatividade, não basta colocar pessoas gordas para interpretar personagens (o que raramente fazem, de qualquer forma! Quantos atores gordos têm notoriedade atualmente? Quantos atores gordos EMAGRECERAM recentemente POR PRESSÃO? Não por saúde, não por vontade própria: simplesmente porque cansaram de não conseguir papéis e/ou ser saco de pancada do público e dos tabloides?) - é preciso criar personagens complexos. Modificar essa dinâmica que sempre coloca a pessoa gorda como a "pateta" que está ali para elevar a auto-estima dx protagonista magrx, ou que nos coloca para baixo. Estou de saco cheio de ver enredos, no cinema e na TV, que exploram a infelicidade da pessoa gorda. Que as coloca como frustradas e miseráveis. Que odeiam suas vidas. A mensagem de que as únicas soluções possíveis são emagrecer ou se matar. E estou bem puta com a aceitação social que essas merdas recebem. Com os magros (e não-gordos) que se matam de rir de tais piadas, e TAMBÉM com os gordos que aceitam isso porque acham que merecem, ou porque acreditam que independente do conteúdo, se tem gordo no meio, está sendo criada representatividade. Nós não podemos aceitar migalhas pra sempre! Eu quero ver gordos interpretando papéis de poder, ou mesmo gordos cujos corpos não são mencionados nem uma vez sequer; que só exercem uma função, e que são colocados da forma mais natural do mundo, nos mais diversos tipos de papéis, como deveria ser na sociedade. Enquanto outras minorias lutam por essa inclusão - com papéis que explorem além do óbvio, além do estereótipo -, o gordo aceita calado, e muitas vezes até ri de si mesmo. E por que? Porque gordos pensam que precisam ser engraçadinhos para "compensar" algo. Porque a sociedade nos despiu de auto-respeito em cada cena de gordofobia naturalizada e aprovada por todos.
terça-feira, 24 de julho de 2018
sexta-feira, 6 de julho de 2018
puta na sociedade e puta na cama (mais puta na sociedade do que na cama)
Aprendi a amar nos cantos / rapidinho pela rua / nem tirava toda a roupa / quase nem ficava nua
🎶
Sou politicamente vadia. Mesmo antes de aderir a princípios feministas, eu já sabia disso.
E para mim, ser puta nesse contexto, é fazer exatamente o que eu quero. Ser imune a morais patriarcais e cristãs numa sociedade patriarcal e cristã.
A vida inteira eu fiz o que me deu na telha, e sempre fui considerada errada por isso. Não planejei ser assim, só não sei existir de outra forma.
Sexualmente, eu sou provocadora, mas careta. Eu quero dar muito, e nas mais variadas posições, mas eu quero paixão, quiçá, amor.
Faz muito tempo que prometi a mim mesma que nunca mais faria sexo com pessoas que me fizessem sentir vazia e suja. Me senti assim todas as vezes que transei, exceto duas. É algo devastador de se sentir. E não senti isso porque sexo é inevitavelmente sujo e vazio, e sim porque me precipitei com pessoas que nem sequer tentaram entender como eu funciono. Nunca gozei com ninguém (não à toa, não estou sozinha nessa!). Nunca me senti completamente confortável.
Agora aparece gente achando que só porque eu exponho meu corpo e minha alma, e especialmente, porque sou gorda, eu tenho que ser “consistente” e dar para qualquer um que me queira. Acham que eu tenho que aceitar todo tipo de fetiche, toda espécie de degradação para validar meu "discurso". Passei os últimos dias remoendo isso, inquieta porque querem me tratar feito puta de esquina e ainda rachar a conta do motel. Até que me ocorreu que putas de esquina também têm o direito de dizer NÃO. Que putas de esquina não merecem ser tratadas como a sociedade acha que putas de esquina devem ser tratadas!
A sociedade quer degradar a mulher para o prazer masculino.
E eu quero ser puta na cama como sou na sociedade: fazendo exatamente o que eu quero. Sentindo uma parcela de satisfação. QUERO ser puta de UMA só pessoa! Experimentar meu corpo no de outra pessoa, descobrir e ser descoberta, gozar. Amar!
O meu corpo não é bagunça. Vestida ou pelada, o meu corpo gordo não é um convite para humilhação.
Não vou aceitar essa lavagem cerebral de que mereço coisas ruins por ser quem eu sou. Nunca mais!
sexta-feira, 22 de junho de 2018
quando a sociedade deixará a mulher amadurecer naturalmente?
Você já parou para pensar no jeito distorcido que as mulheres amadurecem na nossa sociedade? Primeiro esperam que elas pareçam e hajam como se fossem mais velhas do que são, depois as tratam como se elas devessem parar de envelhecer.
Quando falamos sobre o jeito que as mulheres são tratadas na nossa sociedade, nada realmente mudou, apesar do não tão recente debate sobre os direitos das mulheres. O grande esquema ainda é o mesmo de décadas atrás; meninas são ensinadas a ser frágeis e fúteis. Do momento que uma mulher nasce, lhe dão roupas e brinquedos que deixam claro seu papel no mundo. De bonecas em forma de bebês a kits de cozinha e maquiagem em miniatura, a mensagem não está nem oculta mais. Elas vão aprender a cozinhar, a cuidar de bebês, a ser bonitas em roupas que não são confortáveis o suficiente para permitir que participem de brincadeiras que exigem agilidade e um espírito aventureiro.
Como a Paula Hawkins colocou em seu livro de estréia, "A Garota No Trem": "sejamos honestos: as mulheres continuam sendo valorizadas de verdade apenas por duas coisas — sua aparência e seu papel como mãe".
Enquanto meninos são instruídos a ser fortes, independentes e espertos, meninas ainda são instruídas a crescer e encontrar um "bom homem" para cuidar delas.
As crianças de hoje em dia crescem muito rápido, graças ao ambiente estressante em que nós vivemos, e mesmo por causa da comida cheia de hormônios que consumimos atualmente. Uma garota de 14 anos hoje provavelmente não parece com uma garota de 14 anos de duas décadas atrás. Será que as pessoas realmente entendem o perigo disso?
Quando meninas entram na pré-adolescência e na adolescência em si, os hormônios femininos entram na equação. Além de toda a construção de personalidade através dos anos, elas também começam a se sentir diferente, e a copiar o comportamento de suas referências da indústria do entretenimento. Passam a desejar ser vistas como mulheres.
E para alcançar este desejo, elas precisarão se vestir de uma forma mais provocante, e fazer coisas que atrairão olhares e desejos que elas não poderiam entender mesmo que tentassem muito. Uma vez que elas atraem esse olhar, se sentem quase satisfeitas, porque pensam que é exatamente isso que elas querem. Mas na verdade, elas não têm estrutura emocional para sustentar essas coisas. Elas se sentirão únicas enquanto conversam com caras mais velhos, pensando que estão impressionando com sua "sabedoria" precoce, sem perceber que estão sendo usadas. Homens amam isso. Eles são obcecados com a combinação de luxúria e inocência. Mesmo os mais pretensamente "honestos" amam quando garotas agem como se fossem adultas, porque isso lhes dá mais uma desculpa. Por um momento ou dois, eles podem fazer e falar o que quiserem, e fingir que não estão fazendo nada de errado, porque essas meninas "não aparentam a idade que têm".
Essa é apenas a nossa garota "comum", a garota que não está sob holofotes.
Agora vamos pensar nas mulheres NA indústria do entretenimento. Não apenas elas estão no meio dessa loucura coletiva, também estão constantemente expostas. As pessoas olham para elas de muitas formas. Elas TÊM que ser bonitas — obviamente, magras e femininas —, ou serão destroçadas, primeiro por colunas de fofoca, depois pelo público. Elas têm que se comportar de uma determinada forma. Suas imagens e suas vidas estão sendo exploradas na frente do mundo inteiro, e as pessoas não ligam para o fato de que essas garotas não sabem — não poderiam saber — como lidar com toda essa pressão. Seria difícil até para adultos lidarem.
Então, nós temos garotas instruídas a agir como mulheres adultas para a satisfação masculina. Da cantora pop Britney Spears para a estrela da Disney, Demi Lovato, a maioria das garotas na indústria tiveram suas vidas quase que completamente arruinadas pelas expectativas da sociedade de como uma garota deve se comportar. Primeiro a sociedade sexualiza essas meninas, depois diz que elas são muito promíscuas. As condena. Incapazes de entender este paradoxo ou caber no molde social 24 horas por dia, pressionadas por empresários, familiares, e até mesmo pelos fãs, muitas dessas garotas acabam cedendo sob o peso disso tudo. Muitas recorrem a substâncias entorpecentes, desenvolvem transtornos alimentares e caem no abismo da depressão. Sendo tratadas, apesar da pouca idade, como objetos sexuais, elas irão, provavelmente, se deixar usar por pessoas, tentando preencher o vazio interior ou mesmo porque querem continuar sendo "gostadas".
Alguém poderia dizer que é assim que a indústria do entretenimento funciona, que a pressão é colocada sobre todos trabalhadores do meio. Mas, exceções a parte, este seria um argumento desonesto.
Podemos olhar para o elenco principal de Harry Potter, por exemplo. Enquanto o Daniel Radcliffe foi tratado como qualquer outro garoto, no que diz respeito a sua imagem e sexualidade, Emma Watson foi transformada em símbolo sexual muito antes de ser legalmente adulta. Enquanto Rupert Grint foi tratado como um garoto bobo, e retratado assim em ensaios fotográficos, A Emma Watson teve que vestir roupas provocantes e posar de forma sensual para câmeras. Enquanto seus colegas de trabalho tiveram permissão para ser "apenas garotos", ela foi sexualmente objetificada pela mídia. Felizmente, a Emma Watson é uma das celebridades que de alguma forma passou por esta experiência sem sucumbir. Ela agora luta pelos direitos das mulheres.
A vítima mais recente da impiedade da nossa sociedade contra mulheres, é a atriz mirim Millie Bobby Brown, estrela da série de TV "Stranger Things". O mesmo que aconteceu com Emma Watson se repete com ela. Apesar de ter 14 anos, é difícil olhar para ela e ver uma adolescente.
Também temos exemplos disso no Brasil. Larissa Manoela, atriz do SBT, atualmente tem 17 anos, mas sua sexualidade tem sido discutida por anos, por revistas de fofoca e por pessoas comuns. Ela começou nas novelas do SBT quando era uma criança, mas logo passou a mostrar um desenvolvimento corporal precoce. Aos 15 anos ela havia tido pelo menos 4 namorados. Algumas pessoas brincam sobre sua vida amorosa, enquanto outras fazem comentários vulgares.
Também a comparam à sua colega de trabalho, Maísa. Ambas têm a mesma idade. Enquanto Larissa Manoela recebe escárnio por ter muitos "lances", Maísa costumava receber escárnio por não ter tido nenhum namorado. O apresentador de televisão, e EMPREGADOR de ambas, Sílvio Santos, chegou ao cúmulo de ridicularizar as duas em rede nacional, comentando sobre a falta de "ação" de Maísa, e ao mesmo tempo afirmando que a Larissa Manoela "não é tão inocente quanto a Maísa". As pessoas não apenas julgam essas duas garotas pelo que as diferencia, como tentam criar rivalidade entre elas.
Chloë Moretz é mais um exemplo de como a sociedade funciona em detrimento das mulheres. Ela começou sua carreira quando tinha 8 anos, em 2005. Através dos anos, ela foi literalmente perseguida por predadores sexuais. Era fácil achar comentários de homens dizendo que mal podiam esperar que ela fizesse 21 anos (maioridade nos E.U.A), ou mesmo ameaçando-a de estupro. Isso também aconteceu com a Maísa. Pessoas (homens, é claro), se sentiram confortáveis o suficiente para dizer isso na frente de qualquer um com acesso ao Twitter. Como se essas garotas não fossem humanas cheias de medos e emoções. Como se fossem objetos.
E é assim que a mulher é vista na nossa sociedade. Há muitas gerações de trabalhadoras da indústria do entretenimento permanentemente marcadas pela hipersexualização da mulher na mídia. Algumas delas lentamente desaparecem, a força ou por escolha. Algumas continuam a jornada.
Quando estas garotas se tornam mulheres, elas se tornam menos interessantes para a indústria. Mulheres na casa dos 30 são colocadas para interpretar personagens mais jovens. Não é incomum ver atrizes adultas interpretando adolescentes, especialmente em séries de TV. Elas têm que agir como menininhas inocentes em corpos completamente desenvolvidos para, de forma selvagem, representar como as adolescentes são na imaginação dos homens. Isso também é parte do "efeito Lolita", só que sem a culpa de DEMONSTRAR desejos sexuais por pré-adolescentes de fato.
Quando essas mulheres atingem os 40 anos, elas não têm mais serventia nenhuma para a indústria, e para a nossa sociedade, de forma geral. O apelo sexual se perde completamente. Elas não cabem mais nas fantasias dos homens. Como mulheres mais velhas são retratadas em filmes? Há basicamente dois extremos: como a dona de casa insegura, frágil e submissa, ou como a pessoa frígida que abdicou de sua vida amorosa e sexual para ter uma carreira de sucesso. Porque mulheres não podem ter tudo. Elas são desagradáveis, mandonas e amargas, especialmente contra mulheres mais novas. É assim que a mídia promove inimizade entre mulheres mais novas e mais velhas. Elas não podem ser amigas e dar apoio umas às outras, porque precisam competir.
Chegando aos 50, as mulheres basicamente não têm permissão para existir mais. Não podem ser sexy. Na verdade, se TENTAREM ser, soarão desesperadas. Serão zombadas pela sociedade.
Atrizes mais velhas tem paparazzi nas suas costas, mostrando pro mundo inteiro o quão imperfeitas elas se tornaram. Muito peso, muitas rugas, muita flacidez... Do outro lado, homens são vistos como uma boa garrafa de whiskey: quanto mais velhos, melhores.
Enquanto mulheres mais velhas são empurradas para fora da indústria do entretenimento, homens mais velhos são os galãs, os conquistadores, sempre atraindo mulheres bem mais jovens. A disparidade de idade em muitos pares românticos no cinema é ultrajante, e a cada ano que passa se torna mais evidente. Mulheres entrando nos 20 anos são postam para protagonizar ao lado de homens de 40 ou 50 anos. É muito raro vermos casais de pessoas mais velhas no cinema. E, pior, um casal onde a mulher é nova e o homem é mais velho é visto como algo completamente comum, mas se for uma mulher mais velha com um homem mais novo, as pessoas se sentem enojadas.
Pressionadas pelos padrões estéticos vigentes, e numa tentativa de continuar relevantes para a indústria, mulheres tentarão, mais uma vez, se encaixar. Elas se entregarão a HOMENS com bisturis, porque acreditam que eles as tornará "perfeitas" novamente.
Só que muitas vezes o efeito é nulo, e essas mulheres se tornam alvo de ainda mais violência verbal. Como Courtney Love, que, após passar por muitos procedimentos estéticos, recebe milhares de comentários rudes sobre sua aparência e sua tentativa de "não envelhecer".
Apesar de a televisão ser um pouco mais aberta à figura da mulher chegando aos 40 ou mesmo acima disso — séries de TV como "A Paranormal", "The Closer", "Amor Imenso", "Estética", "A Sete Palmos" e muitas outras tiveram mulheres mais velhas retratadas de formas mais complexas e desafiadoras que a maioria dos filmes até hoje —, ainda é um privilégio para poucas. As atrizes nessas séries são conhecidas há décadas, e também tiveram sua cota de exploração de juventude. Elas tem prestígio.
"Pediram" a Patricia Arquette, por exemplo, que ela perdesse peso para interpretar sua personagem na série "A Paranormal", e ela se recusou a fazê-lo, dizendo que não seria realista que uma mulher, mãe de três crianças, fosse mais magra do que ela era à época. A mesma Patricia Arquette que sofreu, anos depois, ataques midiáticos por sua aparência "velha" e "descuidada".
Quão improvável seria para uma atriz iniciante acima dos 40 anos se impôr, SE RECUSAR? Ela seria mandada de volta pra casa, e a indústria teria uma substituta para ela em três segundos.
Como Paula Hawkins continua, na citação que fiz anteriormente: "eu não sou bonita, e não posso ter filhos. O que isso faz de mim? Uma inútil."
O que muitas pessoas não percebem, é que essa distorção de valores na indústria de entretenimento tem um impacto enorme sobre a sociedade inteira, fazendo com que o peso de tudo isso recaia e ganhe ainda mais força sobre mulheres "comuns". Nós estamos em um círculo vicioso, onde só quem perde energia E VIDA são as mulheres.
Quando a sociedade deixará a mulher SER?
sábado, 16 de junho de 2018
chegando aos 30
acho que a mulher do meu melhor amigo
o traiu
ele está em negação
e apesar de o meu primeiro instinto ser
quebrá-la
eu tenho que pensar
no feminismo
nos sentimentos
e no clima que fica
nos churrascos de família
ser adulto é pensar em demasia
você está lá, ouvindo Smashing Pumpkins
ou se masturbando
enquanto toma o seu banho
aquele momento de paz
e vem a avalanche de pensamentos
eu preciso comprar
papel higiênico e sabonete e pasta de dentes
a geladeira está completamente vazia
a parede está com um aspecto inchado e bolorento
o ser humano não é bom
e eu provavelmente deveria guardar as roupas que estão sendo jogadas, da cama para a cadeira e da cadeira para a a cama há muitos dias
o tesão até passa
se transforma em algo violento na boca do estômago
dá uma vontade de enfiar o dedo na garganta
e se livrar da sensação...
e depois, deitada na cama, primeiro não consigo dormir
depois
acordo às quatro horas da manhã
e
penso em trocar a água do aquário do Peixe
penso que preciso dar-lhe um novo aquário
só que um aquário adequado custa 200 reais
penso que quando ele morrer, não terei bicho nenhum
porque os seres precisam de muitas coisas
e carinho
eu
não troco o meu próprio lençol há tanto tempo, que nem sei mais há quanto tempo...
mas permaneço deitada no escuro
e penso no fato de que eu nunca tive um emprego de verdade
e como isso impacta sobre a minha imagem
e não se engane
eu ligo pra minha imagem
quando o meu professor
preferido
o único que eu tenho
diz que um dos meus colegas de classe é um sanguessuga porque não colabora com as contas e serviços domésticos em sua casa
e eu, que geralmente tenho muito a dizer, abaixo meus olhos
assim como faço quando não tenho a resposta certa para um dos exercícios
com os olhos baixos
penso em muitas coisas
nunca fui de lavar louça
nem mesmo os pratos e copos que sujo
.......................
enquanto eu ando pela rua
olhando para o céu
acariciando flores e troncos e postes
o coturno pisando forte no chão
como se eu estivesse muito segura
estou ciente de todas as coisas
inclusive do meu rabo rebolando
dentro de uma calcinha que escorrega
eu penso demais
quando finjo inocência
e quando sou inocente
ignorando as pessoas
especialmente os homens
me aproximo dos 30
pisando duro
pensando demais
e no que pensa o meu melhor amigo, que foi traído
(99% de chances)
?
o traiu
ele está em negação
e apesar de o meu primeiro instinto ser
quebrá-la
eu tenho que pensar
no feminismo
nos sentimentos
e no clima que fica
nos churrascos de família
ser adulto é pensar em demasia
você está lá, ouvindo Smashing Pumpkins
ou se masturbando
enquanto toma o seu banho
aquele momento de paz
e vem a avalanche de pensamentos
eu preciso comprar
papel higiênico e sabonete e pasta de dentes
a geladeira está completamente vazia
a parede está com um aspecto inchado e bolorento
o ser humano não é bom
e eu provavelmente deveria guardar as roupas que estão sendo jogadas, da cama para a cadeira e da cadeira para a a cama há muitos dias
o tesão até passa
se transforma em algo violento na boca do estômago
dá uma vontade de enfiar o dedo na garganta
e se livrar da sensação...
e depois, deitada na cama, primeiro não consigo dormir
depois
acordo às quatro horas da manhã
e
penso em trocar a água do aquário do Peixe
penso que preciso dar-lhe um novo aquário
só que um aquário adequado custa 200 reais
penso que quando ele morrer, não terei bicho nenhum
porque os seres precisam de muitas coisas
e carinho
eu
não troco o meu próprio lençol há tanto tempo, que nem sei mais há quanto tempo...
mas permaneço deitada no escuro
e penso no fato de que eu nunca tive um emprego de verdade
e como isso impacta sobre a minha imagem
e não se engane
eu ligo pra minha imagem
quando o meu professor
preferido
o único que eu tenho
diz que um dos meus colegas de classe é um sanguessuga porque não colabora com as contas e serviços domésticos em sua casa
e eu, que geralmente tenho muito a dizer, abaixo meus olhos
assim como faço quando não tenho a resposta certa para um dos exercícios
com os olhos baixos
penso em muitas coisas
nunca fui de lavar louça
nem mesmo os pratos e copos que sujo
.......................
enquanto eu ando pela rua
olhando para o céu
acariciando flores e troncos e postes
o coturno pisando forte no chão
como se eu estivesse muito segura
estou ciente de todas as coisas
inclusive do meu rabo rebolando
dentro de uma calcinha que escorrega
eu penso demais
quando finjo inocência
e quando sou inocente
ignorando as pessoas
especialmente os homens
me aproximo dos 30
pisando duro
pensando demais
e no que pensa o meu melhor amigo, que foi traído
(99% de chances)
?
sexta-feira, 1 de junho de 2018
adoração
você só me chama
quando
bate
o tesão
e eu vou deixar você
me
usar
mas é só porque eu quero
ser adorada
esse seu entusiasmo
quando você me mostra que o seu pau está duro
feito um pedaço de madeira
por minha causa
vermelho
latejante
as veias saltadas
bem do jeito que eu gosto
(visualmente,
sabe?)
o seu descontrole
animalesco
e você diz coisas como
meu deus! o seu rabo é a minha morte
&
você não sabe o quanto eu quero te foder
o meu corpo se torna
a 8ª Maravilha
... do mundo
adorada
adorada
adorada
mesmo que seja entre
o beijo e
o
(seu)
orgasmo
adorada
quando a porra bate quase no teto
você também está sendo usado.
quando
bate
o tesão
e eu vou deixar você
me
usar
mas é só porque eu quero
ser adorada
esse seu entusiasmo
quando você me mostra que o seu pau está duro
feito um pedaço de madeira
por minha causa
vermelho
latejante
as veias saltadas
bem do jeito que eu gosto
(visualmente,
sabe?)
o seu descontrole
animalesco
e você diz coisas como
meu deus! o seu rabo é a minha morte
&
você não sabe o quanto eu quero te foder
o meu corpo se torna
a 8ª Maravilha
... do mundo
adorada
adorada
adorada
mesmo que seja entre
o beijo e
o
(seu)
orgasmo
adorada
quando a porra bate quase no teto
você também está sendo usado.
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