domingo, 9 de agosto de 2026
antes nada do que pouco
sábado, 30 de maio de 2026
cara pessoa magra,
você já parou pra pensar no quão desrespeitoso é andar muito rápido e sempre bem a frente de seus amigos gordos *que não conseguem* acompanhar o seu ritmo? Se você anda rápido e a pessoa CONTIGO anda devagar, é sua obrigação desacelerar e se adequar ao ritmo DELA.
Toda pessoa gorda anda devagar? NÃO. Mas as que andam devem ser respeitadas!
... Eu vejo muitas pessoas gordas com medo de ser/fazer coisas que a sociedade associa ao corpo gordo de maneira condenatória. Pessoas gordas tentando se provar para a sociedade e negligenciando as necessidades e características do próprio corpo - se desgastando física e emocionalmente no processo.
Cara pessoa gorda,
Ser uma pessoa gorda não significa ser doente, assim como ser uma pessoa magra não significa ser saudável... Isso é fato! Mas se você *é* uma pessoa gorda doente, seja qual for a doença/condição, isso não anula o seu valor!
O seu *valor* não está atrelado ao seu estado de saúde. Pessoas *doentes* merecem respeito e tratamento social digno tanto quanto pessoas "saudáveis" (condição rara na nossa sociedade consumida pelas pressões capitalistas!)
terça-feira, 26 de maio de 2026
a vida afetiva da pessoa gorda
Enquanto pessoa gorda pansexual, eu vivi minha vida em solidão. Por muito tempo recorri à internet para ter o mínimo acesso à companhia; e hoje, mesmo nas redes sociais, me vejo invisível ou vulnerável demais. Não sou vista como possibilidade de afeto, mas, ao mesmo tempo, sou objetificada por fetichistas e ridicularizada por pessoas que me dão match em aplicativos de relacionamento só para me xingar e zombar da minha cara. Eu sou uma gorda "fora do padrão gordo", tenho muita barriga, pouco peito, pouca bunda, tenho papada. Não tenho a passabilidade dos corpos curvilíneos e gordos menores. Falo do lugar de uma pessoa gorda maior, que é patologizada e rotulada, não como gorda, e sim como "obesa"; como se EU fosse uma doença. Com o avanço da idade, as pessoas me veem ainda menos atraente e eu fico cada dia mais desesperada por um afeto que nunca chega. Muitas vezes me deixei ser sexualmente usada só para sentir um toque, um pouco de calor humano, ter com quem conversar por alguns momentos.
Se para homens fetichistas ainda sou vista como possibilidade de sexo (se eu quiser me expor em troca de migalhas), para mulheres, de forma geral, eu não sou nem isso. Mulheres são mais gordofóbicas do que homens, pois foram cobradas a vida inteira para não ser gordas. O maior medo de muitas mulheres é ser gorda ou se tornarem gordas maiores, e isso se reflete nas relações entre mulheres. O corpo gordo não é visto como atrativo, pelo contrário, mulheres foram ensinadas que ele é repulsivo, sujo.
Não estou falando necessariamente sobre sexo. Sexo é fácil de conseguir, se eu estiver disposta a me rebaixar, a ser animalizada, objetificada e comida em sigilo. Estou falando sobre falta de acesso a AFETO e troca social. Mulheres padrão podem até passar por experiências ruins, mas as vivências delas diferem por completo das que estão fora dele. Cedo ou tarde, mulheres padrão encontram quem lhes ofereça afeto, dignidade e companheirismo. A perspectiva de mulheres gordas é a solidão.
Vida afetiva é mais do que sexo e companhia momentânea, é possibilidade de construção de algo maior. Mulheres gordas são privadas não só de afeto palpável (beijo, toque, intimidade, companheirismo), mas também de possibilidade de futuro: de construir uma família, ter alguém para compartilhar a vida e envelhecer junto.
Muitas pessoas gordas se resignam e emagrecem para ter acesso ao afeto, não só romântico, mas também de amizade. Amizades verdadeiras são raras na vida de uma pessoa gorda. Um cachorro recebe melhor tratamento social do que nós, pessoas gordas.
Só fala em "aproveitar a SOLIDÃO" quem nunca foi realmente sozinha na vida. Meu amor não me basta, eu quero ser amada por alguém também. Esse discurso crescente de "autossuficiência" emocional-afetiva é opressor, pois no fim das contas, a SOLIDÃO como estado crônico é imposta apenas a determinados corpos. É muito fácil falar sobre a "necessidade" de saber encarar a SOLIDÃO (e não a solitude) como algo inerente ao ser, quando a dita solidão de quem propaga esse discurso, é temporária. Quando a pessoa está transitando entre relações — de qualquer tipo. Mas e quem passou a vida inteira em solidão? E quem morre em solidão, por ter vivido em um corpo marginalizado? A solidão não é bonita, nem poética. Muito menos inerente ao ser humano. Solidão em estado bruto é enlouquecedora. Eu nunca vou me conformar com a SOLIDÃO.
quinta-feira, 14 de maio de 2026
segunda-feira, 13 de janeiro de 2025
5 minutos
Hoje me juraram de morte. Foi assim: uma bruxa-vidente viu a minha morte em seus sonhos, e veio me pedir que eu faça exames e cuide da minha saúde, pois quando ela sonha, acontece. Que belo alimento para a ansiedade de uma hipocondríaca! Uma hipocondríaca que se diz ateia, mas tem contestado isso intimamente um pouquinho a cada dia. Uma hipocondríaca que está sempre às voltas com a vida e a morte, querendo viver em um instante, e buscando a mais cruel das mortes em outro.
