domingo, 24 de dezembro de 2023
arte
sábado, 11 de novembro de 2023
leitura: pequena coreografia do adeus
Título: Pequena Coreografia do Adeus
Autora: Aline Bei
Editora: Companhia das Letras
Ano de lançamento: 2021
Número de páginas: 282
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"Pequena Coreografia do Adeus" nos apresenta, em primeira pessoa, a história de Júlia, desde sua infância, à sua adolescência e começo da vida adulta. Enquanto criança, Júlia vive com sua mãe, Vera, e seu pai, Sérgio, que arrastam uma relação infeliz e por vezes psicologicamente violenta. Vera é uma mulher que veio de um contexto de violência e abandono familiar e carrega um enorme descontentamento pelo rumo que sua vida tomou. Ao longo dos anos, levando consigo as mágoas pela própria mãe e pelo casamento miserável, Vera teve seus sonhos aniquilados e desconta suas frustrações e rancores agredindo a filha, Júlia, tanto fisicamente, quanto psicologicamente. Ela se justifica repetidamente dizendo que sua mãe "era muito pior do que ela", mas Júlia sabe que ser "menos pior" do que alguém ruim não é o suficiente, e logo surge a dúvida, para nós, leitores: será Júlia capaz de quebrar esse ciclo e ser MELHOR do que sua mãe?
A história de Júlia é pesada e triste. É, por fim, um perfeito retrato de filhos de pais disfuncionais, de pais divorciados e de famílias presas em ciclos de violência; pinta fielmente a solidão e a impotência de algumas crianças frente a pais que abusam de "autoridade". Contudo, Aline Bei consegue contar essa história de forma quase leve. Não é uma leitura que gera agonia, apesar de gerar revolta e muito impacto com frases muito marcantes e análises sociais certeiras. É realmente como assistir ao mais sensível balé de palavras. O que me impressiona e me encanta, é que apesar de toda a violência e solidão a qual foi exposta, o que gerou muita revolta justificada, uma inadequação e sentimento de desconfiança natural, Júlia consegue, SIM, se tornar uma pessoa boa, empática e sensível. Uma pessoa que oferece muito mais aos pais do que eles merecem.
domingo, 23 de julho de 2023
sexta-feira, 30 de junho de 2023
não era amor
terça-feira, 25 de abril de 2023
borboleta sem asas
Em uma redoma acolchoada,
Muito cedo
Tive minhas asas amputadas.
Surgida para o entretenimento alheio,
Logo descobri o que já era meu
E tudo o que nunca poderia ser.
Não há liberdade,
Há só o pesar.
Fui dotada de asas,
Mas delas não pude aproveitar...
Cresci vendo meus semelhantes voar
E minha vida requintada
Muitos suspiros roubar.
Estrela de público cativo,
Borboleta sem asas...
Vendo tudo a um canto,
Minha dor eu cultivei.
Hoje sou tão-somente uma sombra;
Primitiva, indigna do palácio do meu rei.
quarta-feira, 19 de abril de 2023
de são miguel paulista à liberdade
Sou livre, escolho meus caminhos. Mas, por onde caminharei?
Desvio, e me sobram poucas opções. Sou livre, mas não tenho onde ir. Fico estática, então.
A constatação traz tormento... como as previsões. De que elas servem, quando acompanhadas por inação?
Dá pra mudar o destino? Um desastre, previsto e evitado, o que impede que aconteça em outro momento, fazendo as mesmas previstas vítimas? Desvio do perigo ao ouvir previsões, e por que não: desvio das predições!
– A inevitabilidade é uma vadia cruel! – de repente meu pensamento toma voz, a qual se mostra alta demais. Todos ficam calados, inclusive o padre, a madre, o raio que me parta! Olham-me, pasmos. Bato na boca três vezes, peço perdão para a multidão. Desvio, sempre que possível, ao ridículo do padrão. Ao insulto cristão! Desvio também do conceito pagão.
Plim, plim, plim! O padre bate seu sininho.
Meu pecado já foi cometido, quando eu nem sabia da existência do pecado. Há salvação para inocente pecador? Arderei no inferno como Judas, o traidor? Minha pele descolará dos ossos, fazendo-me arder em tremor? Afundarei, amaldiçoando o calor!
Não me toquem os estranhos, ou gritarei até perder a voz. Cairei, convulsa, cavando minha própria cova.
Dou asas a sorte, equilibrando-me em alta ponte... sem fios, sem proteção. Estou na Liberdade, mas esta não encontro, não.
O vento bate em meu rosto, me despenteia, e sinto vida, ainda que passageira.
A vontade de contrariar o destino é grande. Carros passam com fervor e sem cessar. A multidão, apática, espera um escândalo, uma grande notícia, qualquer coisa que transforme esse domingo miserável em algo fantástico, memorável. Mas hesito, me contenho.
O desejo pelo fim não é tão grande, penso, para dar, de graça, tão tolo espetáculo. Respiro fundo, suportando a poluição, retendo em meus pulmões os artifícios da população.
O céu mostra tormenta. Cinza, nebuloso. Olho para cima, olho para baixo: o desatino é não poder cair para cima, eternidade adentro. O desatino, o cruel desalento é não ter asas, ser tão humanamente humana.
O vento bate nas minhas costas, parecendo querer me jogar ponte abaixo. Uma mulher me olha com antipatia, eu devolvo um gesto de rebeldia.
Ela parte com sua criança. Eu fico.
As bancas clandestinas declaram o fim de um longo dia... os ambulantes recolhem suas coisas, prevendo a força tática... Com desgosto dobram suas mesas e pegam o metrô: destino Corinthians-Itaquera.
Parecia, mas ainda não era o fim. Por meus pecados eu teria de pagar, isso não ficaria assim! Meu sangue e meu corpo são engolidos pelo asfalto, me tornando parte da cidade: minha mãe, contra quem tanto lutei, sendo a filha rebelde de tão grande família, me aceita de volta em seu útero infernal.
Condenada, as pessoas que ali passam ainda ouvem meu padecimento.
Texto de 03 de outubro de 2009.
quinta-feira, 23 de março de 2023
segunda-feira, 21 de novembro de 2022
sua amiga
domingo, 3 de julho de 2022
indecência
é alguns números menor
e eu não devolvi
segunda-feira, 27 de junho de 2022
eu te amo tanto...
Minha voz ecoando no vazio
Eu espero que as palavras te alcancem
Eu espero que o sentimento te alcance
Eu aqui
Onde?
Nem sei mais onde
"eu te amo tanto, tanto..."
Minha voz abafada
quarta-feira, 15 de dezembro de 2021
ninho
Depois do riso
Do afeto
E do gozo
Eu pensei que sua partida
Me deixaria triste
Pensei que meu coração pesaria,
Como em todas as nossas despedidas,
Sufocado pela saudade instantânea
Pensei que as lágrimas rolariam
Pela distância crescendo
Entre nossos corpos
Com surpresa,
Quando você partiu
— Um piscar de olho
E um te amo suspenso no ar —
Eu não senti vazio
Eu não senti tristeza
Eu não chorei
Meu bem, não disfarço
Eu queria que você ficasse mais
Queria que ficasse para sempre
Aninhado no espaço entre os meus braços
Mas dessa vez
Enquanto você caminhava
Se afastando lentamente
Eu soube que você não iria longe
Nunca mais você vai estar longe
Porque você está dentro
Você está aqui para ficar
De repente a tempestade
No meu coração deu trégua
Um arco-íris surgiu no meu horizonte
A gritaria na minha mente foi silenciada
Cantaram os pássaros
A paz reinou
Dentro de mim
Te observando trilhar o seu caminho,
Eu soube que aquilo não era um adeus,
Era um volto logo.
Não era um se cuida,
Era um te cuido
De onde eu estiver
terça-feira, 28 de setembro de 2021
...
sábado, 17 de abril de 2021
duas formas de amar
Uma pancada, Um beijo Quando eu perco o fôlego Ela me segura num abraço Nossos corpos unidos Nossas respirações buscando sincronia
Suas mãos pousam sobre o meu peito Um beijo Uma pancada, Um beijo Em meio à multidão Ele sussurra no meu ouvido "Um dia eu vou te fazer chorar" Sua voz sombria e triste, Sexy Depois me beija Eu lhe beijo Ele não sabe que já me fez chorar Uma pancada Uma pancada, Um beijo Estou aos pés dela A sola de seu sapato Pressiona minha cara contra o chão Eu sinto a pressão Minha mente está em todo lugar Busco o rosto dele. Uma pancada, Um beijo Estendida sobre a cama Dois, três beijos Vinte beijos, cinquenta beijos Se espalhando por todo o meu corpo Que se contorce Minha mente está focada Meu riso exagerado ecoa pelo quarto Uma pancada, Um beijo O toque dela é gentil Uma pancada, Um beijo O toque dele é gentil Uma pancada, Um beijo Olhando nos meus olhos Ele diz que me ama Mas que isso não vai durar Ele diz que me ama Menos do que eu mereço Por alguns momentos eu fico no lugar nenhum Desvio o olhar do dele Meus olhos ardem Uma pancada, Um beijo Estou ao lado dele Ele acaricia meus cabelos Meu rosto Até cair no sono Sinto o calor de sua mão Sobre a minha cabeça Sinto a pressão O assisto dormir Acompanho sua respiração Digo "eu te amo" Ele não ouve Uma pancada, Um beijo Ela diz que me adora Sua voz diz que ela me adora Seu olhar diz que ela me adora Ela me adora Um beijoterça-feira, 26 de novembro de 2019
ei, você
Assim?
Eu gosto de você.
Às vezes quase nada.
Às vezes só um pouco.
Às vezes mais do que eu dou conta...
Seja como for, você está
Sempre dentro,
...
Mesmo quando
Às vezes
Você consegue
Fingir que eu não existo.
Eu digo a mim mesma:
Chega! Agora chega!
Acabou.
Mas acabou nada.
Eu continuo...
... como uma coisa que continua
Porque não consegue parar.
Uma avalanche
Ou algo do tipo.
Ela não consegue parar.
Nem eu.
Eu fico martelando a mesma tecla
Até que a letra tenha desaparecido
Até que ela esteja escorregadia
Até que ela quebre.
E eu acho que você sabe
E eu acho que você nota
E eu acho que você tira proveito
Você, com a sua tecla inteira
A letra aí
Anti-derrapante...
... Intacta.
Por que você não gosta de mim
Assim,
Como eu gosto de você?
Por quê?








