Sem saber como contornar a súbita sensação de tristeza, eu estava petiscando a batata frita sem prazer, conscientemente fitando o cheddar grudado na lateral da caixinha do hambúrguer meio comido. Depois de um silêncio prolongado, sua voz determinada ecoou, atraindo automaticamente o meu olhar:
— Eu quero te comer.
Por um momento perdi a compostura, atingida pela surpresa. Não era o que eu esperava ouvir. Recuperei o fôlego roubado pela onda imediata de tesão, e embora estivesse hesitante, sustentei:
— Você QUER me comer ou você VAI me comer?
— Você quer que eu te coma?
Havia fogo nos olhos pousados sobre mim, eu sentia as chamas se alastrando, de dentro dele, para dentro de mim, serpenteando sob minha pele, o incêndio alcançando os meus espaços mais íntimos. Entorpecida, fiz que sim com a cabeça. Era tudo que eu conseguia fazer. Estava sentada, mas sentia minhas pernas bambas sob a mesa. Meu corpo inteiro estava trêmulo de desejo.
— Então eu vou te comer.
segunda-feira, 8 de novembro de 2021
nem conto e nem erótico
terça-feira, 28 de setembro de 2021
...
Eu não te largo
E você não me larga
Dessa vez vai dar certo
Dessa vez vamos ser maduros
Vamos refrear sentimentos
Vamos ser mais amigos
Nessa obsessão disfarçada de amor
Nós não somos amigos
Nem somos amantes
Nós somos destino
Que não se contém
E nem nunca se cumpre
Somos a onda
Sendo arrastada pelo vento
Somos o dia de sol
Que vira tempestade
E deixa desabrigados
Nós somos crime
Passional
Somos doença
Contagiosa
E sem cura
Somos o sonho
Que vira pesadelo
E o corpo não desperta
Somos a urgência
Da fome
Da dor
Da falta de ar
Nós somos fantasmas
Em galerias
Em cruzamentos
Em restaurantes japoneses
Somos arte abstrata
Nos muros de avenidas
Nas paredes de estações
Em camas de motéis........
........ Eu não te largo
E você não me larga
Não me larga
sábado, 17 de abril de 2021
duas formas de amar
Uma pancada, Um beijo Quando eu perco o fôlego Ela me segura num abraço Nossos corpos unidos Nossas respirações buscando sincronia
Suas mãos pousam sobre o meu peito Um beijo Uma pancada, Um beijo Em meio à multidão Ele sussurra no meu ouvido "Um dia eu vou te fazer chorar" Sua voz sombria e triste, Sexy Depois me beija Eu lhe beijo Ele não sabe que já me fez chorar Uma pancada Uma pancada, Um beijo Estou aos pés dela A sola de seu sapato Pressiona minha cara contra o chão Eu sinto a pressão Minha mente está em todo lugar Busco o rosto dele. Uma pancada, Um beijo Estendida sobre a cama Dois, três beijos Vinte beijos, cinquenta beijos Se espalhando por todo o meu corpo Que se contorce Minha mente está focada Meu riso exagerado ecoa pelo quarto Uma pancada, Um beijo O toque dela é gentil Uma pancada, Um beijo O toque dele é gentil Uma pancada, Um beijo Olhando nos meus olhos Ele diz que me ama Mas que isso não vai durar Ele diz que me ama Menos do que eu mereço Por alguns momentos eu fico no lugar nenhum Desvio o olhar do dele Meus olhos ardem Uma pancada, Um beijo Estou ao lado dele Ele acaricia meus cabelos Meu rosto Até cair no sono Sinto o calor de sua mão Sobre a minha cabeça Sinto a pressão O assisto dormir Acompanho sua respiração Digo "eu te amo" Ele não ouve Uma pancada, Um beijo Ela diz que me adora Sua voz diz que ela me adora Seu olhar diz que ela me adora Ela me adora Um beijoterça-feira, 26 de novembro de 2019
ei, você
Por que você não gosta de mim
Assim?
Eu gosto de você.
Às vezes quase nada.
Às vezes só um pouco.
Às vezes mais do que eu dou conta...
Seja como for, você está
Sempre dentro,
...
Mesmo quando
Às vezes
Você consegue
Fingir que eu não existo.
Eu digo a mim mesma:
Chega! Agora chega!
Acabou.
Mas acabou nada.
Eu continuo...
... como uma coisa que continua
Porque não consegue parar.
Uma avalanche
Ou algo do tipo.
Ela não consegue parar.
Nem eu.
Eu fico martelando a mesma tecla
Até que a letra tenha desaparecido
Até que ela esteja escorregadia
Até que ela quebre.
E eu acho que você sabe
E eu acho que você nota
E eu acho que você tira proveito
Você, com a sua tecla inteira
A letra aí
Anti-derrapante...
... Intacta.
Por que você não gosta de mim
Assim,
Como eu gosto de você?
Por quê?
Assim?
Eu gosto de você.
Às vezes quase nada.
Às vezes só um pouco.
Às vezes mais do que eu dou conta...
Seja como for, você está
Sempre dentro,
...
Mesmo quando
Às vezes
Você consegue
Fingir que eu não existo.
Eu digo a mim mesma:
Chega! Agora chega!
Acabou.
Mas acabou nada.
Eu continuo...
... como uma coisa que continua
Porque não consegue parar.
Uma avalanche
Ou algo do tipo.
Ela não consegue parar.
Nem eu.
Eu fico martelando a mesma tecla
Até que a letra tenha desaparecido
Até que ela esteja escorregadia
Até que ela quebre.
E eu acho que você sabe
E eu acho que você nota
E eu acho que você tira proveito
Você, com a sua tecla inteira
A letra aí
Anti-derrapante...
... Intacta.
Por que você não gosta de mim
Assim,
Como eu gosto de você?
Por quê?
segunda-feira, 28 de outubro de 2019
ruan, bukowski e cigarros
Eu esbarrei num poema do Bukowski. Esbarrei no meu maço de cigarros. Esbarrei em você. É sempre assim, lembra?
"Cíntia, chega de falar de Ruan, Bukowski e Cigarros! Porra!"
Esbarrei numa garrafa de cachaça, ouvindo a playlist que fiz com músicas que contam nossa história, ou ao menos, a minha versão da nossa história.
O poema do velho falava sobre partidas e chegadas e partidas.
Confesso que olho seu perfil de vez em quando, mas não há nada o que ver, ele está trancado. Você é tão misterioso, ui.
Eu havia deletado todas suas fotos e todas nossas conversas do meu celular, apaguei seu e-mail dos meus contatos, mesmo sabendo-o de cor, e pensei que estava livre, sem acesso a você, assim eu poderia fingir que nós nunca acontecemos, que eu nunca te amei; aí meu celular quebrou, e eu voltei a utilizar um aparelho antigo. Abrindo a galeria do mesmo: fotos suas. Prints nossos, de momentos mais doces. Dei de cara com o poema que você me escreveu, que me deixou de pernas bambas. Eu tive que me apoiar numa mesa quando li suas palavras naquele dia, Ruan. Depois fiquei com a calcinha molhada no metrô, roçando minhas coxas disfarçadamente, mordiscando meus lábios para tentar represar todas aquelas sensações; o misto de tesão, preocupação e ternura.
Foi como uma porrada no estômago ver fotos da sua barriga, das suas pintas, dos seus pés calçando coturnos, dos seus pêlos, mas principalmente, do seu pau. Esse pau aí, sobre o qual você se sentia inseguro, e eu endeusei tanto, que você ficou confiante o suficiente para mostrar para outras mulheres, para usar em outras mulheres. Eu até poderia viver com isso, mas o fato de você ter parado de usá-lo para o meu prazer realmente foi demais para mim.
Te odeio! Todo dia acordo e tento me convencer de que te odeio. Mas não, eu ainda amo seu olhar de tormenta e o tom da sua pele. Ainda amo suas mãos e seus dedos, e seus dedos segurando cigarros e sua boca, e sua boca soltando fumaça de forma ensaiada, te fazendo parecer um bad boy de um filme adolescente qualquer, e não o big shot da sua série de motociclistas favorita.
Eu te disse adeus, você me disse adeus, eu voltei. Voltei duas vezes, três... voltei tantas vezes, que perdi as contas! Acho que você também perdeu as contas de quantas vezes disse que nunca mais me aceitaria de volta, e aceitou. Perdemos as contas de quantas vezes agimos feito personagens de um romance decadente, apegados a um amor canalha, ou mero desejo destrutivo. Mas da última vez que te disse adeus, você não retribuiu. Você pensou que eu voltaria. Bem, Ruan, eu não voltei. Meu adeus foi sincero, Ruan. E você não retribuiu ao meu adeus, Ruan! Pro inferno, você e seu maldito pau! Esse pau, que para dificultar mais as coisas, tem veias saltadas e uma pinta, bem do jeito que eu gosto.
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